FÓRUM DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO PARÁ EXIGE INVESTIGAÇÃO E PUNIÇÃO DOS PISTOLEIROS QUE TORTURARAM BEBÊS, CRIANÇAS E TRABALHADORES AGRÍCOLAS

17 de maio de 2018 às 10:52

O Fórum de Educação Infantil do Pará e O Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Infantil do Instituto de Ciências da Educação da Universidade Federal do Pará publicaram uma nota de repúdio contra a violência e atrocidades cometidas por pistoleiros contra trabalhadores agrícolas, crianças e bebês, moradoras de um acampamento às margens do Rio Araguaia. O caso de extrema violência aconteceu no dia 04 de maio, e foi denunciado pela Comissão Pastoral da Terra. Na nota, o Fórum exige das autoridades a apuração dos fatos e a punição dos mandantes e pistoleiros que cometeram o crime hediondo.

 

“Esse estado de violência permanente, fruto da negação de direitos aos trabalhadores do campo, especialmente do direito à terra, da impunidade e de uma política que só beneficia o capital, precisa acabar. Torna-se urgente realizar a reforma agrária e garantir a terra a quem nela trabalha”, afirma trecho da nota.

Veja abaixo a íntegra da nota de repúdio:

 

FÓRUM DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO PARÁ – FEIPA

GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM CRIANÇA, INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL – IPÊ

NOTA DE REPÚDIO A AÇÃO CRIMINOSA DE PISTOLEIROS QUE PRATICARAM TORTURA CONTRA CRIANÇAS, INCLUSIVE BEBÊS, GESTANTE E ADULTOS

O Fórum de Educação Infantil do Pará E O Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Infantil do Instituto de Ciências da Educação da Universidade Federal do Pará vem a público repudiar as atrocidades praticadas no Estado do Pará, tendo como motivo a questão da terra e exigir a reparação dos crimes.

A Comissão Pastoral da Terra denunciou que no dia 04 de maio de 2018, o Pará novamente foi terrivelmente surpreendido por cenas de tortura e horror envolvendo trabalhadores agrícolas, chegando-se ao extremo de atingirem bebês.

Nesse dia um grupo de dez famílias, que estavam acampadas no Município de São João do Araguaia, às margens do Rio Araguaia, foram vítimas de uma sessão de tortura praticada por pistoleiros encapuzados, atingindo adultos, incluindo uma senhora grávida de três meses e 11 crianças, entre as quais dois bebês.

Munidos de escopetas, pistolas e revólveres, os pistoleiros espancaram os adultos com golpes de paus, facões e coronhadas, dispararam armas de fogo próximo ao ouvido de dois bebês, de três meses de idade, para aterrorizar ainda mais a mãe, pisotearam uma senhora grávida, que teve sangramento, atiraram em redes com crianças dentro, derrubaram e pisotearam em crianças. A sessão de horror continuou com os pistoleiros ateando fogo nos barracos com tudo o que tinha dentro, obrigando os agricultores a subirem na carroceria das duas caminhonetes, com a roupa do corpo, abandonando-os, posteriormente, na Vila Santana, localizada às margens da Rodovia Transamazônica, cerca de 30 km distante do local do acampamento.

Esse estado de violência permanente, fruto da negação de direitos aos trabalhadores do campo, especialmente do direito à terra, da impunidade e de uma política que só beneficia o capital, precisa acabar. Torna-se urgente realizar a reforma agrária e garantir a terra a quem nela trabalha.

Exigimos das autoridades a apuração dos fatos e que haja punição aos mandantes e aos pistoleiros desse crime hediondo.

Belém, 10 de maio de 2018.

Crédito da imagem de capa: Samuel Bono/Repórter Brasil